A análise da matrícula é um dos principais passos antes da aquisição de um imóvel.
É nela que encontramos a descrição do bem, seu proprietário, eventuais ônus, indisponibilidades, penhoras e outros atos relevantes.
Mas uma matrícula aparentemente regular não responde, sozinha, a todas as perguntas importantes de uma negociação imobiliária.
Há situações em que o risco está fora dela.
A situação jurídica do vendedor, por exemplo, pode exigir atenção. Dependendo das circunstâncias, ações judiciais, execuções ou restrições patrimoniais podem ser relevantes para avaliar a segurança da operação.
Também é preciso verificar se a realidade corresponde ao registro.
A construção existente está averbada? A área efetivamente ocupada coincide com a descrição registral? Existem ampliações não regularizadas? Há débitos relacionados ao imóvel? Quem exerce a posse?
Em determinadas operações, questões urbanísticas, condominiais, sucessórias ou contratuais também podem alterar significativamente o risco do negócio.
Isso não diminui a importância da matrícula.
Ao contrário: ela é o ponto de partida da análise imobiliária — mas nem sempre o ponto de chegada.
Uma boa diligência não consiste em acumular certidões indiscriminadamente. Consiste em identificar quais riscos efetivamente existem naquela operação e verificar se eles podem comprometer a aquisição.
No mercado imobiliário, muitos problemas que parecem surgir depois da compra já estavam presentes antes dela.
A diferença é que ninguém os procurou.





